Ocorrências Periciais
Blog voltado para o meio pericial
quinta-feira, 12 de março de 2015
sábado, 16 de novembro de 2013
Vagas para entregador temporário (trabalha-se pouco, paga-se bem)
Do dia 15 para o dia 16 de novembro de 2013, fiz quatro perícias durante a noite e madrugada, das quatro ocorrências, todas tinham relação com drogas, inclusive há duas vagas quentinhas para entregadores de drogas, sendo uma em Goiânia e uma em Aparecida. Sugiro a quem se candidatar, comprar um colete a prova de balas (projéteis) top, nesse negócio a concorrência é matadora e não economiza com bala (projéteis) não, bem que podiam economizar bastante neste quesito, dando capacitação para seus atiradores, que estão sendo eficazes, pois atingem o objetivo de matar a vítima, porém não estão sendo eficientes, pois gastam muita munição, deixando mais vestígios no local e tendo um gasto desnecessário, que poderia ser investido em outras coisas, aumentando a lucratividade do traficante por meio da efetividade do negócio. Seria ótimo para o Estado também, já que a Perícia e a Necropsia seriam menos complexas e mais rápidas, haveria menos balas (projéteis) para serem examinadas, o laudo seria menor e sairia mais rápido, haveria uma economia em exames para o Estado. Bem que o Governo poderia oferecer esse tipo de capacitação, já que gera empregos e desenvolvimento para o Estado, ao contrário da Segurança Pública, que aos olhos do Governo é um gasto desnecessário que só gera prejuízo.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Somos aqueles que registram e examinam o Mal, para que o Bem prevaleça
Excelências,
autoridades, senhores que, dos palácios, decidem nossos destinos:
Venho
apresentar-lhes uma classe oculta. Ocultação, aliás, um tanto irônica, pois
somos os que veem. Somos, caríssimos senhores, os olhos da Justiça, da Justiça tão necessária neste nosso sofrido
País.
Ninguém
nos conhece, ninguém nos vê; e nós seguimos em frente, vendo os males, vendo as
dores, vendo as mortes, os furtos e roubos, os acidentes, os sofrimentos
somados e empilhados de nosso povo, em sua maioria tão honesto e tão bom.
Somos,
senhores, os Peritos Criminais.
Ninguém nos conhece. Quando chegamos ao local de um furto, as vítimas pensam
que somos os investigadores. Compreensível, pois eles raramente vão aos locais
de furto. Que aliás raramente são investigados, mas aí já é outra história.
Quando
chegamos a um local de homicídio, os bravos soldados da PM já o isolaram do
público, e não somos vistos. Quando chegamos a um local de acidente, a mesma
coisa. Com o problema adicional do nosso suposto atraso: todos estão ali
esperando há horas para que a Perícia
Criminal libere o local, e onde estava a Perícia Criminal? Explicarei aos senhores onde estava a Perícia Criminal: a Perícia Criminal estava periciando. A Perícia Criminal, esquecida de todos,
estava se deslocando por áreas cada vez maiores – afinal, com cada vez menos Peritos Criminais, as áreas de
atendimento de cada Perito Criminal
só podem aumentar! –, tentando atender decentemente a uma demanda que a
situação do país só faz aumentar. Tentando, senhores, registrar cada ponto
crucial de cada uma das desgraças, de cada uma das tragédias em que nossa
presença é requisitada.
Os
plantões, que há alguns anos atrás eram cansativos, tornaram-se impossíveis.
Áreas muito maiores, número cada vez menor de Peritos Criminais, uma criminalidade
cada vez mais violenta, o flagelo
das drogas que assola toda a sociedade, espalhando-se como os braços
esqueléticos de uma Morte de folhetim, e a quem cabe tudo ver, tudo acompanhar,
tudo registrar e analisar? Ao Perito
Criminal.
Quando
o crime ocorre, chama-se a PM. Quando os vizinhos brigam, chama-se a PM. Quando
o acidente ocorre, chama-se a PM. 190 é o número, todos o conhecem. O que faz,
contudo, a PM? Vale lembrar para que nossas autoridades possam tomar suas
decisões – que, sabemos, buscam o justo – com conhecimento de causa. A PM,
senhores, preserva o local e comunica à Polícia Civil. A PM preserva o local,
contudo, não movida por uma estranha vontade de vê-lo assim, paralisado no
tempo. Não por acha-lo bonito. Ela o preserva para nós: para aquele caco de Perito Criminal que irá se arrastar de
fora de uma viatura, tendo atendido antes daquele outras dezenas de locais,
responsável solitário que ele é por uma área de milhares de km², com dezenas de
municípios.
À
Polícia Civil compete ouvir as partes envolvidas, instaurar – se for o caso –
um Inquérito Policial, em que se procurará a verdade dos fatos: houve crime? Há
quem pareça o ter cometido? E quem vai examinar o local do crime? Quem vai
testar cada instrumento empregado – ou não – nele? Quem vai procurar resíduos,
indícios e vestígios nos cadáveres, impressões digitais no local e nas peças?
Quem vai discernir como aquilo aconteceu, para que a Polícia Civil possa
dedicar-se a descobrir os “quems” e “porquês” que levarão um dia, se tudo der
certo, à justa punição de um criminoso? Um Perito
Criminal. Um Perito Criminal
solitário, acompanhado, na melhor das hipóteses, de seus escudeiros o fotógrafo
e o motorista, que hoje em dia também cumprem, no mais das vezes, as funções de
agente (guarda-costas). E ninguém os vê, ninguém os conhecem.
Somos
poucos, pouquíssimos!, cada vez menos. E a criminalidade aumenta cada vez mais.
E as áreas que cada um cobre no plantão aumentam cada vez mais. Temos pouco
tempo para lutar devido a grande demanda de trabalho, examinando os corpos das
vítimas, as janelas quebradas, os carros batidos, os rastros, traços,
tacógrafos, facas, pistolas, drogas, porretes e fazendo os laudos periciais.
O
laudo pericial é o resultado final
do nosso trabalho, muitas vezes é confeccionado nos momentos que seriam de
descanso do Perito Criminal, levando,
as vezes dias ou até meses para ser feito, e vamos carrega-lo para o resto de
nossas vidas, somos responsáveis por tudo que nele está escrito e ele tem poder
suficiente para mudar vidas, fazer
justiça, inocentar ou culpar. "Cada
laudo que expedimos é um filho que colocamos no mundo (jurídico)".
Enquanto esse "filho" não morrer ou enquanto nós não morrermos
seremos (pela justiça) responsáveis por ele.
Ao Perito Criminal cabe
examinar o Mal, as
marcas da maldade humana, e isso não pode ser deixado de lado. Percorríamos,
maleta na mão, o bosque onde Seu Lobo fez das suas. Não deu tempo de acompanhar
a política ou de fazer passeatas. Mas levantamos por um instante a cabeça do
nosso trabalho, que não cessa, e pedimos, respeitosamente, que não se esqueçam de nós. Somos invisíveis, mas somos os olhos da
Justiça, trazemos à vida a Rainha
das Provas. Sem nós, não há Justiça
possível.
Não
pedimos privilégios, apenas a isonomia, não queremos criar uma nova polícia,
pois a Polícia Científica já existe
de fato, nome inclusive já consagrado pela mídia. O que queremos é que ela exista de direito, que seja incluída no artigo
144 da Constituição Federal!
E
esperamos, sinceramente, que os senhores jamais precisem dos nossos serviços;
afinal, somos aqueles que registram e examinam
o Mal, para que o Bem prevaleça.
Agradecendo
antecipadamente a atenção,
Um Perito Criminal Cansado
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